Além da solicitação do Ministério Público de que a Polícia Civil investigue o fura-filas da vacinação de Mogi, Comissão Especial de Investigação (CEI) pode ser instaurada na Câmara

O Ministério Público (MP) requisitou a instauração de inquérito policial para apurar as denúncias de suposto esquema de “fura-fila” na vacinação contra a covid-19 na Prefeitura de Mogi das Cruzes. A investigação foi solicitada pela promotoria, após indícios de que os servidores da Secretaria da Saúde foram vacinados indevidamente.

A apuração preliminar apontou que cerca de 900 funcionários de diversos departamentos da pasta sem contato com infectados, que não se enquadram na linha de frente (grupo prioritário), teriam recebido a dose da vacina contra o coronavírus. Do total de suspeitos apontados, pelo menos 150 exercem funções administrativas e burocráticas. Segundo informações do MP, o imunizante foi aplicado até mesmo em estagiários de outras áreas.

No legislativo mogiano, o presidente da Camara de Mogi, vereador Dr. Otto Rezende (PSD), declarou que soube pela imprensa sobre a investigação do suposto esquema “fura fila” que teria beneficiado de forma irregular servidores públicos da administração.

O ex-candidato a prefeito de Mogi das Cruzes, o ativista político Felipe Lintz, veio a público cobrar um posicionamento do prefeito Caio Cunha (PODE) sobre o caso. “Conivência ou omissão?” acusa Lintz, que aponta “embora eu tenha apoiado a candidatura do prefeito Cunha durante o segundo turno, eu irei cobrar”. Segundo Lintz, hoje ele vai um protocolar a solicitação da abertura de uma Comissão Especial de Investigação (CEI). O presidente Dr. Otto Rezende não descartou a possibilidade de criação de uma CEI para investigar o caso fura-fila em Mogi. “Mas quem instaura a CEI são os vereadores da cidade. Vou receber o documento que vai tramitar pelos departamentos da Casa de Leis”, explicou. O presidente da Câmara parabenizou o Ministério Público pela investigação e citou o projeto de lei aprovado na última sessão ordinária que define multa para pessoa que for flagrada furando a fila de vacinação na cidade.

O caso começou a ser investigado no mês passado a partir de denúncias envolvendo o ex-secretário de saúde, Dr. Henrique Naufel. Até então, sabia-se que o MP havia recomendado somente a exoneração do então secretário Henrique Naufel, com a constatação de que o chefe da pasta havia recebido a dose da vacina de forma irregular. Já com o indício da aplicação em massa da vacina em todos os funcionários do setor da Saúde, o MP pediu para que a Polícia Civil assumisse as investigações.