Acompanhe a análise do especialista em Gestão de Sistemas de Saúde que destaca: enquanto o Comitê Científico do Estado avalia que é seguro o desuso da máscara em locais públicos, a Organização Mundial da Saúde faz alerta para a vacinação que não isenta o Brasil de passar por uma 4º onda de contaminação

O Governo de São Paulo anunciou que vai liberar a obrigatoriedade do uso da máscara em ambientes externos a partir do dia 11 de dezembro, apesar de ainda não ter atingido a meta estipulada pela própria gestão estadual de redução de indicadores da pandemia. Especialista em Gestão de Sistemas de Saúde, o biomédico Téo Cusatis analisou a decisão do Governo e, em contrapartida, a determinação do prefeito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha (PODE), que vai manter o uso obrigatório das máscaras na cidade até 15 de janeiro de 2022, data em que o Executivo vai fazer uma reavaliação da medida. Ele também destacou o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que “vacinados não estão imunes à 4° onda da pandemia”. A sensação de segurança de que as vacinas acabaram com a pandemia gera preocupação entre a OMS e especialistas.

O governador João Dória anunciou ontem (24/11) a flexibilização do uso de máscaras no Estado de São Paulo em áreas abertas, amparada em orientação do Comitê Científico do Estado e em dados. Segundo a nota oficial, “positivos de avanço da vacinação e do cenário epidemiológico”. O governador destacou que “evidências científicas, demonstram queda superior a 90% de internações em relação ao pico da pandemia, e a aceleração da vacinação no Estado que mais vacina no Brasil”.

Agora cabe aos 645 municípios de São Paulo avaliar e aplicar a nova recomendação. Em Mogi, por exemplo, o prefeito Caio Cunha já oficializou que até 15 de janeiro a cidade vai manter o uso obrigatório em locais abertos. Depois dessa data, a Prefeitura deve passar novas orientações acerca da decisão de flexibilizar ou não.

Outras cidades que já se manifestaram confirmando que vão manter uso obrigatório da máscara são; Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Poá, Santa Isabel e Suzano. Para o especialista Téo Cusatis, a probabilidade de aglomeração devido às festividades de fim de ano, é o maior indicador de que recomendação do Estado é “precoce”. “Penso que está equivocada essa questão de liberar as máscaras”, disse e continuou sua análise, “já com a decisão do prefeito Caio Cunha eu concordo que a Prefeitura espere o Revéillon e a grande aglomerações das festas passar”, concluiu. Ele justificou que mesmo com a vacinação, o risco deve causar um efeito cascata de notificações de suspeita de contaminação, gerando pane ao retorno das atividades nos diversos setores sociais. “É uma doença de notificação compulsória, a partir do momento que a pessoa está com suspeita ou contaminada, ela fica afastada por pelo menos dez dias, então a força de trabalho diminui e impacta a volta dos serviços de saúde, que começa atender os casos suspeitos de novo”, apontou. O efeito manada das suspeitas deve exigir dos equipamentos de saúde e paralisar novamente o atendimento a outras especialidades que há mais de um ano e meio acumulam pacientes em suas filas. É justamente por conta dessa grande demanda que hoje a Santa Casa de Mogi, exige mais aporte financeiro da Prefeitura para manter o Pronto Socorro funcionando.

Ex-secretário da Saúde de Mogi, Teo Cusatis explicou alguns pontos da sua gestão durante a administração do ex-prefeito Marcus Melo (PSDB), após afirmação polêmica da vereadora Inês Paz (PSOL), de que as contas da pasta durante o comando do biomédico “não bateram”. “Ela foi equivocada nessa colocação, a conta que foi reprovada era referente à empresa terceirizada que prestava serviços para a Prefeitura, mas que inclusive a nossa comissão técnica-administrativa apontou pedindo também esclarecimentos acerca dos valores cobrados”, esclareceu.

Acompanhe aos detalhes da entrevista que incluem diversos apontamentos do especialista sobre novas estatísticas da pandemia e a complexidade do sistema público de Saúde.