Saiba como identificar quando uma pessoa está em sofrimento e como ajudá-la

Hoje, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, o Ministério da Saúde lançou as Ações de Educação em Saúde em Defesa da Vida. A iniciativa se trata de uma série de atividades educativas, itinerantes e on-line que contemplam a realização de quatro ciclos de promoção e prevenção em saúde. De acordo com o ministério, o primeiro ciclo apresenta as ações que são voltadas à prevenção do suicídio e da automutilação, a partir do Setembro Amarelo.  

Profissionais da área da Psicologia e médicos socorristas relatam aumento nos casos de depressão e tentativas de suicídio relacionadas à instabilidade social ocasionada pela pandemia da Covid-19 e ao isolamento social.  

Durante o evento da apresentação das atividades, que ocorreu hoje pela manhã no Planalto em Brasília (DF), o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que “a problemática da saúde mental como resultado da pandemia precisa ser tratada de maneira direta, com programas sérios e de qualidade, para que a gente não perca ainda mais pessoas. E nisso, nós somos pioneiros. Estamos à frente com programas que tratam abertamente sobre o assunto”.  

A data foi instituída mundialmente há 17 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos, 800 mil pessoas tiram a própria vida no mundo. No Brasil, são 12 mil. Ainda de acordo com a OMS, o Brasil é o campeão mundial em casos de transtorno de ansiedade e ocupa o segundo lugar em transtornos depressivos, que podem levar ao suicídio. O Brasil é o país que mais registra transtornos de ansiedade e o segundo no ranking mundial de transtornos depressivos. 


Como Saber?

Mas, como saber quando alguém está com sintomas de comportamento suicida? O suicídio pode afetar pessoas de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidade de gênero e é um fenômeno complexo. Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou no próximo pode ser o passo mais importante.  

Os sinais de alerta nunca podem ser considerados isoladamente, descritos oficialmente pelo Ministério da Saúde, pois não há uma “receita” para detectar seguramente quando uma pessoa está vivenciando uma crise suicida. Entretanto, alguém que está em sofrimento pode dar certos sinais:  

1 – O aparecimento ou agravamento de problemas de conduta ou de manifestações verbais durante pelo menos duas semanas.  

Essas manifestações não devem ser interpretadas como ameaças nem como chantagens emocionais, mas sim avisos de alerta para um risco real.  

2 – Preocupação com a própria morte ou falta de esperança 

As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro. Essas ideias podem estar expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos.  

3 – Expressão de ideias ou de intenções suicidas 

Fique sempre atenta e atento para os comentários abaixo. Pode parecer óbvio, mas muitas vezes são ignorados: 

A) “Vou desaparecer” 

B) “Vou deixar vocês em paz” 

C) “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar” 

D) “É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar”  

4 – Isolamento  

As pessoas com pensamentos suicidas podem se isolar, não atendendo a telefonemas, interagindo menos nas redes sociais, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais, principalmente aquelas que costumavam e gostavam de fazer. 

Outros fatores como exposição ao agrotóxico, perda de emprego, crises políticas e econômicas, discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, agressões psicológicas e/ou físicas, sofrimento no trabalho, diminuição ou ausência de autocuidado, conflitos familiares, perda de um ente querido, doenças crônicas, dolorosas e/ou incapacitantes, podem causar vulnerabilidade. Sendo assim, devem ser levados em consideração se o indivíduo apresenta outros sinais de alerta para o suicídio. 


Ação e prevenção

1 – Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio. 

2 – Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento. 

3 – Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa 

4 – Se a pessoa com quem você está preocupado(a) vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa. 

5 – Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo 

Onde buscar ajuda para prevenir o suicídio?

CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde). 

UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais 

Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita) 

Centro de Valorização da Vida – CVV

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias. 

A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. 

Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita. 

Também é possível utilizar o atendimento por chat e e-mail disponível nos ícones abaixo. 

Conheça os postos e horários de atendimento