Com a pandemia, inúmeras modificações aconteceram na vida das pessoas. A comunicação, sem dúvida, sofreu mudanças importantes. Devido a necessidade do distanciamento social, a comunicação passou a ser muito solicitada. Na tentativa de diminuir a distância física e de alguma forma estar presente, as pessoas passaram a falar mais com seus familiares, amigos e pessoas queridas. Aliada à tecnologia, com certeza, a comunicação diminuiu essa distância. Conversas pelo WhatsApp, chamadas de vídeo, entre outras ferramentas, ajudaram a diminuir essa falta que uma pessoa estava fazendo na vida de outra.

Muitas pessoas, além de viver essas mudanças necessárias no dia a dia, ainda precisaram transferir o trabalho para casa. E para continuar trabalhando e se comunicando, aprenderam rapidamente como usar plataformas digitais e câmeras, vivendo a nova rotina, que foi criada da noite para o dia, como verdadeiros “youtubers”. Para alguns foi mais fácil e para outros uma exaustão. Parte do cansaço pode vir dessa necessidade da comunicação, frente as câmeras, que parece simples, mas não é algo tão fácil.

A comunicação no modo on-line, na verdade, é bem diferente do que as pessoas estavam acostumadas. Quando alguém está diante de uma câmera, acaba exigindo mais de si para que consiga se comunicar com eficiência. Isso porque, a comunicação não é só o que sai da boca de uma pessoa, não é só a palavra falada, mas sim um conjunto de elementos que permite que a mensagem seja passada por alguém para uma ou mais pessoas. Esse conjunto de elementos que promove a comunicação pode ser dividido em comunicação verbal e comunicação não verbal.

A comunicação verbal é o conteúdo da mensagem, a escolha das palavras e como é feito o uso da linguagem.  A comunicação não verbal é a forma que o conteúdo é passado, ou seja, recursos de voz e corpo que são utilizados ao longo da mensagem.  Dentre os recursos de voz, estão o tom da voz, a articulação das palavras, a velocidade de fala e a entonação da voz. Nos recursos corporais, estão as expressões faciais, os gestos e como o corpo se comporta de uma maneira geral ao longo da conversa.

Sendo assim, fica mais fácil de entender porque atrás de uma câmera o desgaste é muito maior do que presencialmente. No modo on-line não é possível utilizar recursos importantes para a comunicação acontecer de forma eficaz. O corpo, que ajuda na transmissão da mensagem, não aparece por inteiro; a Internet que tem falhas ao longo de uma reunião faz com que o conteúdo falado, seja repetido diversas vezes, levando a um esforço de voz muito maior do que o habitual.

Portanto, esse novo momento que grande parte da população está vivendo, pode ser o responsável por um cansaço físico, mental e vocal muito maior do que o normal. E para diminuir esse cansaço ou evitar que ele aconteça, é preciso que as pessoas se conscientizem da comunicação, ficando atenta ao volume de voz que estão utilizando e se estão fazendo força para falar. Importante, também, planejar a comunicação previamente, ou seja, quando for participar de reuniões, organizar uma pauta do que precisará falar, esquematizar o que vai falar para passar o conteúdo de forma mais objetiva, com frases mais curtas e de forma mais simples. Se for possível, fazer um rodízio das pessoas que falarão, para que todos possam relaxar e descansar sua voz enquanto o outro fala. Simplificar ao máximo o que vai ser falado e utilizar outros recursos além da fala, como escrita e o compartilhamento de materiais tanto de áudio quanto visuais.

Cansar após um dia de trabalho, sentir cansaço na voz depois de uma reunião é normal, o que não é normal, é passar dias com a voz cansada mesmo depois que já descansou. Não é normal ficar rouco por mais de cinco dias seguidos. Fadiga vocal e outras alterações de voz precisam de tratamento otorrinolaringológico e fonoaudiológico.

É importante que os profissionais que utilizam a comunicação no trabalho fiquem atentos a tudo isso e se lembrem que a comunicação não pode ser dolorosa, pelo simples fato de que a comunicação é algo maravilhoso. Ela permeia as relações humanas, aproxima as pessoas e em conjunto com a tecnologia, e permite que muitos profissionais possam continuar se desenvolvendo profissionalmente.

O momento da pandemia está exigindo de todos. E para quem está vivendo muito mais no modo on-line do que presencial, é essencial que estabeleça uma rotina que inclua descansar, se alimentar bem e beber bastante água. Quando participar de uma reunião ou alguma apresentação on-line, estar ciente que como o corpo e os gestos não vão aparecer na câmera, o esforço para ser compreendido será maior. Portanto, falar de uma forma mais simples, não aumentar o volume da voz, articular bem os sons da fala, ou seja, abrir mais a boca para pronunciar melhor as palavras, com certeza, vai permitir que você seja melhor compreendido pelos outros, além de ajudar sua voz e comunicação permanecerem saudáveis até o fim da pandemia.

Tatiana Franco é fonoaudióloga e consultora em Comunicação Humana e escreve todas as terças-feiras para o site Marilei Schiavi.